quinta-feira, 24 de abril de 2008



A Craiglist, sediada em S. Francisco, foi aclamada em todo o mundo devido ao que o seu fundador chama de "nerd values". A empresa, fundade em 1995, opera websites de S. Francisco a Sidney, de Boston a Berlin, de Atlanta a Amesterdão. Mas o que está em causa não é monetizar as visitas ao site, maximizar os cliques ou criar uma reserva de banners publicitários - a linguagem universal dos negócios na internet. Na Craiglist, os utilizadores trocam mensagens, vendem produtos e serviços, procuram apartamentos e empregos num site que não cobra mensalidades, não aceita publicidade e praticamente não recorre a imagens.A sua forma e funcionalidade simples faz com que a Craiglist seja vista como simples, quase simplista.

A empresa está construída à volta de um compromisso explícito de servir como altgernativa a tudo quanto é tradição na internet. A Craiglist não tem uma declaração de missão elaborada (isso seria demasiado exibicionista para esta equipa low-profile), mas o site disponibiliza uma breve declaração de objectivos. A Craiglist destina-se a "darmos uma folga uns aos outros, podermos falar sobre o quotidiano, assuntos do mundo real". Compromete-se a "repor a voz humana na internet, de uma forma humana e não comercial". Concentra-se em "manter as coisas simples, do senso comum, terra-a-terra, honestas, muito verdadeiras".

Mas eis aquilo que é tão esclarecedor: estes valores verdadeiramente anticomerciais despoletaram uma sensação de cultura pop e um forte patromónio comercial. O realizador cinematográfico independente Michael Ferris fez um documentário, intitulado 24 hours on Craiglist, que capta as estranhas e maravilhosas paixões daqueles que usam o site. O jornal USA Today descreveu o fenómeno Craiglist da seguinte forma: "Há quem chame ao site um fórum público. Outros denominam-no um mercado de classificados. Muitos chamam-lhe de obsessão".

Os especialistas em estratégia de internet chamam-lhe outra coisa - um negócio impressionante. Não é um gigante no valor de milhares de milhões como o google ou o yahoo - e é precisamente essa a questão. Trata-se de uma pequena empresa, com muito sucesso, cujo alcance se estende a todo o mundo e cuja influência se dissemina por toda a internet.

A Craiglist opera 190 websites nos 50 estados norte americanos e em 34 países - sites que contribuem com 6,55 milhões de novos anúncios classificados e recebem mais de 3.000 milhões de page views por mês, por parte de 10.000 de visitantes. Os analistas financeiros estimam que a Craiglist, que nunca angariou um cêntimo de capital de risco, que emprega menos de 20 colaboradores e que trabalha a partir de uma casa victoriana nos arredores de Inner Sunset, em S. Francisco, poderia valer 100 milhões de doláres se fosse posta à venda - uma avaliação que equivale a mais de 5 milhões de doláres por cada colaborador.

A revista Fortune, voz não oficial das grandes empresas tradicionais, maravilhou-se com os extraordinários resultados financeiros daquela pequena empresa. Num artigo intitulado "guerrilla capitalism", a revista calculava que as receitas da Craiglist em 2005 "rondariam" os 20 milhões de doláres, com despesas anuais que provavelmente não ultrapassam mais de 5 milhões de doláres. A conclusão da revista é a seguinte: "A empresa que é indiferente ao dinheiro acaba, assim, por gerar lucros.

O CEO Buckmaster congratula-se com a trajectória não convencional da empresa no caminho da prosperidade - aquilo a quel ele chama "as ironias de não termos marcas, de desmonetarizarmos e de não competirmos". Em conjunto, estas 3 ironias representam fortes desvios (e fortemente eficazes) face ao comercialismo que infecta grande parte da web - o que faz precisamente com que o site atraia tantos seguidores freverosos e se tenha tornado num negócio sólido. "Ao não prestarmos qualquer atenção a estas áreas - ou tentanto fazer o oposto daquilo que as outras organizações fazem - acabámos por ser mais fortes em todas elas", explica Buckmaster.

A Craiglist tem, seguramente, uma abordagem não convencional quando investe na sua marca - essa abordagem simplesmente não existe. "Não prestamos atenção à marca. Nunca usamos essa palavra internamente. Não fazemos publicidade, não temos um logotipo. Nunca fizemos estudos focalizados em grupos. Não nos preocupamos com esses assuntos. E agora dizem-nos que temos a mais forte marca de sempre para uma empresa da nossa dimensão. É bastante irónico".

(fonte: mavericks no trabalho por william c. taylor e polly labarre - editado por actual editora)

Posted by ... boost alpha às 12:44
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