quinta-feira, 20 de dezembro de 2007



Há cerca de dois anos foi publicado um artigo chamado The Long Tail que descreve como empresas de internet utilizam o conceito da Cauda Longa para ganhar dinheiro. Entre os exemplos estão: Google, Amazon e iTunes. O artigo transformou-se em blog e deu origem ao livro A Cauda Longa.

O que é a Cauda Longa?
A Cauda Longa é um fenómeno observado em empresas de internet que conseguem faturar com produtos de nicho tanto quanto, ou até mais que os tradicionais blockbusters. Tal foi possível com o advento da internet já que a inexistência de limitação do espaço físico para exibição de produtos faz com que os mercados de nicho sejam explorados da mesma forma que o mercado de massas.

A prateleira infinita
Diz-se que a “regra dos 80/20” rege a facturação das empresas, ou seja, 20% dos produtos representam 80% da facturação. Se a loja é uma livraria, sabemos que a última aventura do Harry Potter vai vender tanto que representará uma parcela significativa da facturação. Por este motivo a livraria acaba colocando nas suas prateleiras aqueles títulos que têm mais possibilidades de vender. Como o espaço físico de uma loja é limitado e tem um custo, só é possível disponibilizar uma quantidade limitada de títulos diferentes, exatamente aqueles que vendem. Faz sentido? Certamente.

Na internet tudo isso muda. Uma livraria virtual possui prateleiras de tamanho, teoricamente, infinito, cuja limitação é a quantidade de títulos oferecidos e não o espaço físico. Ao invés de disponibilizar apenas aqueles “xis” mil títulos que são os que mais vendem, é possível ter em catálogo um número muito maior. No livro “A Cauda Longa”, o autor Chris Anderson mostra que uma loja física de uma grande livraria nos EUA possui em média 100 mil títulos diferentes disponíveis. Ao mesmo tempo a loja virtual Amazon.com possui em suas “prateleiras” cerca de 3,7 milhões de livros diferentes. De notar que o facto da Amazon possuir o título na “prateleira” não significa necessariamente que ele esteja em stock.



A grande descoberta veio da análise das quantidades vendidas dos produtos. Um estudo feito com a Amazon mostrou que, por ter uma “prateleira” maior de livros à venda, a facturação correspondente aos livros menos populares (fora dos 100 mil principais títulos) representava cerca de um quarto da receita. Analisando o gráfico (acima) temos a impressão de que são produtos que não vale a pena vender. Sim, isso é verdade para uma loja física tradicional. Na internet descobriu-se o poder da Cauda Longa e da prateleira de tamanho infinito.

O fim da era dos Hits ou Blockbusters
Na economia da Cauda Longa, o que faz a diferença é a abundância, ao contrário da escassez que existia até então. Num mercado em que predomina a escassez o que faz sentido é explorar aquilo que vende mais, ou seja, os blockbusters, os hits. Neste novo conceito de negócios (a abundância da Cauda Longa) o não-hit acaba se tornando uma parcela importante da facturação e concorre directamente com os poucos e efêmeros sucessos do momento. Saber explorar isso tem feito empresas como a Google ou a Amazon crescerem vertiginosamente, tornando-as gigantes da nova era.

A ironia é que um livro que analisa, entre outras, o fim da era dos hits e acabou tornando-se um best-seller internacional.

(fonte: techbits)

Posted by ... boost alpha às 16:59
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