terça-feira, 30 de setembro de 2008



Desde que lançou "No Logo", tem defendido que o que se convencionou chamar de "movimento antiglobalização" tem de apontar para soluções fragmentadas. Acredita que, em algum momento, propostas objectivas tenham de ser apresentadas?
Klein - Sim, temos um paradoxo aqui. Sempre haverá pessoas que querem liderar e, principalmente, pessoas que querem ser lideradas. Acho que os movimentos antiglobalização devem rejeitar a centralização do poder, precisam elaborar uma nova concepção de poder. Daí serem fragmentados. É paradoxal, mas com isso não estou a dizer que não devemos focalizar objectivos; a democratização, uma maior participação da sociedade nas decisões dos governos é um ponto a ser defendido.

Que lugares do mundo de hoje se aproximam da sua ideia de sociedade ideal?
Klein - Não consigo pensar em países, mas em lugares e situações que estão à procura de alternativas. Apontaria Porto Alegre, assim como alguns pontos da Escandinávia. Diria que Veneza também, mas não Itália como um todo. Também não me sinto à vontade para indicar Cuba, apesar de reconhecer que várias boas lições possam ser tiradas do seu exemplo.

Pensa em escrever "No Logo - Parte 2"? Como seria?
Klein - Não, não quero fazer uma sequência. Mas, se fizesse, não seria algo na linha "isto é o que faremos a partir de agora". Gostaria de escrever sobre experiências que vejo pelo mundo, seria o resultado da aprendizagem com as alternativas concretas que vejo em viagens.

Acha que a crise argentina é um exemplo de como o neoliberalismo pode ser prejudicial quando levado às últimas consequências?
Klein - Claro. A experiência argentina provou algo que já sabíamos, que até então estava apenas no plano do discurso, mas podia ser pressentido. O terrível é que as pessoas não tenham sido poupadas. Acho que a questão da Argentina precisa ser discutida aqui.

O que os atentados de 11 de setembro representam para os movimentos antiglobalização?
Klein - É difícil ser descentralizadora de ideias hoje, pois o discurso de defesa da centralização do poder ganhou uma força tremenda após isso. Mas é preciso continuar a lutar pela descentralização. Creio que as consequências estão a ser bastante negativas e contraditórias. A economia dos EUA depende da liberação de fronteiras, mas o que há é uma crescente militarização dessas fronteiras, por razões de segurança.

A sra. e Noam Chomsky são as "estrelas" deste evento. Qual sua opinião sobre suas ideias?
Klein - Não concordo com tudo o que ele diz, mas admiro-o. O principal é que ele defenda essas ideias no seu país. Deve ser difícil ser Chomsky nos EUA, a batalha dele certamente é dura e solitária.

(fonte: Folha de S. Paulo)

Posted by ... boost alpha às 10:33
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